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Desafios à Orientação

Vocacional e Profissional

numa Dimensão Europeia

(Huteau, 2001)1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Base Conceptual

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dimensão Europeia

Actualmente os serviços de Orientação Vocacional e Profissional confrontam-se com novas realidades, resultantes, nomeadamente, das transformações económicas, políticas e sociais que impõem novas exigências aos jovens e adultos.

Sendo a Orientação Vocacional e Profissional considerada uma actividade tão importante no desenvolvimento pessoal, profissional e social dos indivíduos, torna-se essencial conhecer o/s contexto/s em que ela se insere.

O contexto económico e social introduz novas exigências a nível do mercado de emprego e de trabalho, nomeadamente, no que se refere às qualificações da mão-de-obra e, confrontando-nos com um grave problema, que vem dos anos 70 e que torna a situação do ponto de vista social mais complexa: o desemprego e o desemprego estrutural.

Os elevados níveis de desemprego tornam-se preocupantes pelos seus efeitos económicos e sociais e devem-se a múltiplas razões, destacando-se a questão da recessão permanente desde a década de 90 (Pinho, 1997).

O desemprego na Europa, constituindo um dos mais graves problemas sociais, apresenta como principal característica o facto de ser um desemprego de longa duração, chegando hoje a afectar cerca de metade do total de desempregados, especialmente jovens e adultos pouco qualificados.

Estes problemas conduzem, indubitavelmente a uma necessidade de reestruturação, a nível da Educação e da Formação Profissional. Desde longa data (1995) que a Comissão Europeia aponta como prioridade o desenvolvimento dos recursos humanos, desenvolvendo-se ao longo de toda a vida activa, começando com uma educação básica seguida de Formação Profissional inicial e contínua. Pretende-se que os jovens adquiram conhecimentos básicos de carácter geral para depois desenvolverem competências de carácter não só tecnológico mas também social (ditas competências transversais), como seja a capacidade para desempenhar funções em ambientes tecnológicos complexos, caracterizados por contextos de mudança permanente e acelerada.

BASE CONCEPTUAL

Seguir-se-ão os princípios básicos inerentes à Educação de Adultos, centrando-nos, para isso, na abordagem andragógica desenvolvida por Knowles (1970), para quem a Andragogia é a “(..) arte e a ciência de ajudar os adultos a aprender”. Verifica-se, desde já, que a tónica se encontra na aprendizagem e não no ensino, o que acontece devido a características inerentes ao adulto, a saber: é auto-dirigido, portanto, responsável pela sua aprendizagem; a quantidade e qualidade das experiências pelas quais o adulto já passou constituem-se como um recurso útil à aprendizagem; o adulto demonstra disponibilidade para aprender ligada às tarefas de desempenho do seu papel social; a orientação para a aprendizagem encontra-se centrada na vida, tarefa ou problema concreto a resolver – orientação pragmática; a motivação para a aprendizagem é, sobretudo intrínseca, (aumentar a auto-estima, satisfação pessoal, a qualidade de vida, a autoconfiança, actualizar as potencialidades pessoais, etc.), embora factores externos sejam também motivantes (aumento salarial, melhor trabalho, etc.). Complementarmente, seguiremos também a proposta de Cazau (2001), segundo a qual a aprendizagem do adulto baseia-se em: aprender a conhecer; aprender a aprender; aprender a fazer e aprender a ser; sintetizando, na educação/formação de adultos procuraremos desenvolver os três grandes domínios do conhecimento: SABER, SABER-FAZER e SABER-SER.

Tendo como base os conceitos atrás enunciados, necessariamente as ABORDAGENS METODOLÓGICO-DIDÁCTICAS que adoptaremos serão ao máximo distanciadas daquilo que se concebe e pratica no ensino tradicional (associado à Pedagogia e não à Andragogia). Assim, no que respeita à relação Facilitador da Aprendizagem (educador/formador) /Aprendente (educando/formando), esta centrar-se-á fundamentalmente no aprendente, já que se parte do pressuposto de que este último é autónomo e auto-dirigido, portanto, responsável pela sua aprendizagem. Quanto aos conteúdos que irão ser abordados, estes encontram-se centrados para problemas reais e observáveis, procurando contribuir para o desenvolvimento de cidadãos europeus, dotá-los de uma cidadania activa e participativa e, por último, melhorar a utilização das TIC na perspectiva da sociedade do conhecimento inclusiva. Relativamente à situação de ensino/aprendizagem, há a salientar que a aprendizagem será desenvolvida com base em problemas reais da vida dos aprendentes, considerando-se fundamental para a sua progressão o aproveitamento e partilha das experiências de vida. As metodologias que irão ser utilizadas terão em conta determinados critérios: envolver activamente o aprendente no seu processo de aprendizagem, desde a planificação até à avaliação da mesma; tirar proveito da experiência acumulada pelos aprendentes; propor problemas e conhecimentos que se encontrem em sincronia com a vida real; justificar a necessidade e utilidade de cada conhecimento; utilizar e estimular a motivação interna para a aprendizagem; facilitar o acesso, os meios, o tempo e a oportunidade à aprendizagem. Este projecto terá, ainda, em consideração os seguintes aspectos: relação com o mundo circundante; relação com os interesses dos aprendentes; orientação para a elaboração de produtos da aprendizagem e trabalho inter e transdisciplinar. Os métodos e abordagens didácticas do projecto apelarão, por último, para alguns aspectos fundamentais em Andragogia, tais como: exercitação das aprendizagens, manifestação dos efeitos positivos das aprendizagens, primazia do aprendido, intensidade das aprendizagens e utilidade das mesmas.

DIMENSÃO EUROPEIA
Este projecto apenas faz sentido na sua dimensão europeia, ou seja, numa abordagem puramente nacional, os resultados nunca seriam os previstos para este projecto. Ele assenta numa forma de trabalho em cooperação transnacional que beneficia das complementaridades, sinergias e competências distintivas de todos os parceiros. Aliás, seria um contra-senso falar de competências transversais sobre “Viver na Europa” e, depois, realizar o projecto apenas num país. É precisamente contra uma visão unilateral e fechada que este projecto se desenha, procurando uma dimensão de actuação plural e aberta, onde, para além dos 5 países da Europa dos 15 já envolvidos e de um país em vias de adesão que também já integra a parceria, iremos envolver mais 7 entidades de outros 7 países em vias de adesão. Significa isto que, no âmbito deste projecto, estaremos a envolver 14 entidades de 13 países europeus. Neste contexto, podemos claramente identificar o valor acrescentado deste projecto: a diversidade da parceria, não só em termos de instituições participantes (tipo e quantidade), como de países representados, da Europa dos 15 e dos países em vias de adesão. No seguimento disto prevê-se que os produtos/resultados do projecto tenham uma verdadeira dimensão europeia, sendo o resultado de um trabalho conjunto. Por último, o módulo “Viver na Europa” vem evidenciar todo o reconhecimento e importância atribuída pela parceria à Cidadania Europeia e à necessidade de promover uma identidade europeia nos cidadãos, enquadrando-o como um dos elementos que deve ser transversal a qualquer processo de Aprendizagem ao Longo da Vida/Educação de Adultos.

     
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