| Actualmente os serviços de Orientação Vocacional
e Profissional confrontam-se com novas realidades, resultantes, nomeadamente,
das transformações económicas, políticas
e sociais que impõem novas exigências aos jovens e adultos.
Sendo a Orientação Vocacional e Profissional considerada
uma actividade tão importante no desenvolvimento pessoal,
profissional e social dos indivíduos, torna-se essencial
conhecer o/s contexto/s em que ela se insere.
O contexto económico e social introduz novas exigências
a nível do mercado de emprego e de trabalho, nomeadamente,
no que se refere às qualificações da mão-de-obra
e, confrontando-nos com um grave problema, que vem dos anos 70 e
que torna a situação do ponto de vista social mais
complexa: o desemprego e o desemprego estrutural.
Os elevados níveis de desemprego tornam-se preocupantes
pelos seus efeitos económicos e sociais e devem-se a múltiplas
razões, destacando-se a questão da recessão
permanente desde a década de 90 (Pinho, 1997).
O desemprego na Europa, constituindo um dos mais graves problemas
sociais, apresenta como principal característica o facto
de ser um desemprego de longa duração, chegando hoje
a afectar cerca de metade do total de desempregados, especialmente
jovens e adultos pouco qualificados.
Estes problemas conduzem, indubitavelmente a uma necessidade de
reestruturação, a nível da Educação
e da Formação Profissional. Desde longa data (1995)
que a Comissão Europeia aponta como prioridade o desenvolvimento
dos recursos humanos, desenvolvendo-se ao longo de toda a vida activa,
começando com uma educação básica seguida
de Formação Profissional inicial e contínua.
Pretende-se que os jovens adquiram conhecimentos básicos
de carácter geral para depois desenvolverem competências
de carácter não só tecnológico mas também
social (ditas competências transversais), como seja a capacidade
para desempenhar funções em ambientes tecnológicos
complexos, caracterizados por contextos de mudança permanente
e acelerada.
BASE CONCEPTUAL
Seguir-se-ão os princípios básicos inerentes
à Educação de Adultos, centrando-nos, para
isso, na abordagem andragógica desenvolvida por Knowles (1970),
para quem a Andragogia é a “(..) arte e a ciência
de ajudar os adultos a aprender”. Verifica-se, desde já,
que a tónica se encontra na aprendizagem e não no
ensino, o que acontece devido a características inerentes
ao adulto, a saber: é auto-dirigido, portanto, responsável
pela sua aprendizagem; a quantidade e qualidade das experiências
pelas quais o adulto já passou constituem-se como um recurso
útil à aprendizagem; o adulto demonstra disponibilidade
para aprender ligada às tarefas de desempenho do seu papel
social; a orientação para a aprendizagem encontra-se
centrada na vida, tarefa ou problema concreto a resolver –
orientação pragmática; a motivação
para a aprendizagem é, sobretudo intrínseca, (aumentar
a auto-estima, satisfação pessoal, a qualidade de
vida, a autoconfiança, actualizar as potencialidades pessoais,
etc.), embora factores externos sejam também motivantes (aumento
salarial, melhor trabalho, etc.). Complementarmente, seguiremos
também a proposta de Cazau (2001), segundo a qual a aprendizagem
do adulto baseia-se em: aprender a conhecer; aprender a aprender;
aprender a fazer e aprender a ser; sintetizando, na educação/formação
de adultos procuraremos desenvolver os três grandes domínios
do conhecimento: SABER, SABER-FAZER e SABER-SER.
Tendo como base os conceitos atrás enunciados, necessariamente
as ABORDAGENS METODOLÓGICO-DIDÁCTICAS que adoptaremos
serão ao máximo distanciadas daquilo que se concebe
e pratica no ensino tradicional (associado à Pedagogia e
não à Andragogia). Assim, no que respeita à
relação Facilitador da Aprendizagem (educador/formador)
/Aprendente (educando/formando), esta centrar-se-á fundamentalmente
no aprendente, já que se parte do pressuposto de que este
último é autónomo e auto-dirigido, portanto,
responsável pela sua aprendizagem. Quanto aos conteúdos
que irão ser abordados, estes encontram-se centrados para
problemas reais e observáveis, procurando contribuir para
o desenvolvimento de cidadãos europeus, dotá-los de
uma cidadania activa e participativa e, por último, melhorar
a utilização das TIC na perspectiva da sociedade do
conhecimento inclusiva. Relativamente à situação
de ensino/aprendizagem, há a salientar que a aprendizagem
será desenvolvida com base em problemas reais da vida dos
aprendentes, considerando-se fundamental para a sua progressão
o aproveitamento e partilha das experiências de vida. As metodologias
que irão ser utilizadas terão em conta determinados
critérios: envolver activamente o aprendente no seu processo
de aprendizagem, desde a planificação até à
avaliação da mesma; tirar proveito da experiência
acumulada pelos aprendentes; propor problemas e conhecimentos que
se encontrem em sincronia com a vida real; justificar a necessidade
e utilidade de cada conhecimento; utilizar e estimular a motivação
interna para a aprendizagem; facilitar o acesso, os meios, o tempo
e a oportunidade à aprendizagem. Este projecto terá,
ainda, em consideração os seguintes aspectos: relação
com o mundo circundante; relação com os interesses
dos aprendentes; orientação para a elaboração
de produtos da aprendizagem e trabalho inter e transdisciplinar.
Os métodos e abordagens didácticas do projecto apelarão,
por último, para alguns aspectos fundamentais em Andragogia,
tais como: exercitação das aprendizagens, manifestação
dos efeitos positivos das aprendizagens, primazia do aprendido,
intensidade das aprendizagens e utilidade das mesmas.
DIMENSÃO EUROPEIA
Este projecto apenas faz sentido na sua dimensão europeia,
ou seja, numa abordagem puramente nacional, os resultados nunca
seriam os previstos para este projecto. Ele assenta numa forma de
trabalho em cooperação transnacional que beneficia
das complementaridades, sinergias e competências distintivas
de todos os parceiros. Aliás, seria um contra-senso falar
de competências transversais sobre “Viver na Europa”
e, depois, realizar o projecto apenas num país. É
precisamente contra uma visão unilateral e fechada que este
projecto se desenha, procurando uma dimensão de actuação
plural e aberta, onde, para além dos 5 países da Europa
dos 15 já envolvidos e de um país em vias de adesão
que também já integra a parceria, iremos envolver
mais 7 entidades de outros 7 países em vias de adesão.
Significa isto que, no âmbito deste projecto, estaremos a
envolver 14 entidades de 13 países europeus. Neste contexto,
podemos claramente identificar o valor acrescentado deste projecto:
a diversidade da parceria, não só em termos de instituições
participantes (tipo e quantidade), como de países representados,
da Europa dos 15 e dos países em vias de adesão. No
seguimento disto prevê-se que os produtos/resultados do projecto
tenham uma verdadeira dimensão europeia, sendo o resultado
de um trabalho conjunto. Por último, o módulo “Viver
na Europa” vem evidenciar todo o reconhecimento e importância
atribuída pela parceria à Cidadania Europeia e à
necessidade de promover uma identidade europeia nos cidadãos,
enquadrando-o como um dos elementos que deve ser transversal a qualquer
processo de Aprendizagem ao Longo da Vida/Educação
de Adultos.
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